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1 em cada 6 jovens LGBTI já sofreu assédio físico nas escolas, aponta pesquisa

663 jovens entre os 14 e os 20 anos participaram do estudo

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Um estudo encomendado pela Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo (ILGA) mostrou que a maioria dos estudantes que se denominam LGBTI+ já sofreram com comentários negativos esclarece um cenário de “insegurança e desconforto” nas escolas de Portugal.

De acordo com relatos colhidos para a pesquisa, a maioria dos estudantes LGBTI já foram insultados por causa da orientação sexual e mais da metade também já ouviu comentários homofóbicos de professores ou auxiliares. O documento realizado pelo ISCTE e pela Universidade do Porto para a ILGA revela também diversos relatos de agressões físicas.

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“Os meus colegas apertavam-me o pescoço por eu ser gay”; “fui espancada por estar na Marcha LGBTI”; “Fui repetidamente agredida”. Cerca de 8% dos 663 jovens entre os 14 e os 20 anos que responderam ao inquérito garante já ter sido vítima de agressões físicas por causa de características pessoais: 7,7% das situações por causa da sua expressão de gênero (forma de vestir relacionada com sexo oposto), 7,4% por causa da sua orientação sexual e 4,4% por causa da sua identidade de gênero. 66,7% afirmaram ter sido alvo de agressões verbais e cerca de um em cada seis sofreu assédio físico (por exemplo, abanões ou empurrões). E quase metade (45,4%) refere ter sofrido assédio sexual (tais como toques não consentidos ou comentários de teor sexual).

Os ataques digitais também está presente no estudo “um rapaz gay foi extremamente gozado por espalharem nudes e vídeos íntimos dele”. Quase um quarto (23,6%) foi vítima de cyberbullying e 22% sofreu dano ou furto de bens pessoais.

Um dado relevante é que 55,6% dos jovens entrevistados afirmou que, nas situações em que estavam presentes professores ou auxiliares, nenhum interveio. Quando se tratava de colegas, apenas em 17,3% dos casos tomaram alguma atitude. A maioria (61,1%) ouviu comentários homofóbicos na escola de forma regular ou frequente. Para 75,1% da amostra, esses comentários são feitos por colegas, mas 62,0% também os ouviu de professores ou auxiliares. “Os meus professores são extremamente machistas, misóginos e fazem frequentemente comentários machistas e homofóbicos”; “Já sofri de muito preconceito por (…) quer professores, funcionários ou alunos”; “Cheguei a sentir uma extrema vontade de abandonar a aula por algo que um professor disse”, relatam alguns dos alunos. Outros retratam insultos ouvidos de colegas. “Um rapaz disse que eu era “nojenta” por gostar de meninas”; “Chamavam me nomes horríveis, fiquei traumatizado”; “nesse mesmo ano obtive pensamentos suicidas”.

Como resultado deste ambiente, pelo menos um estudante LGBTI em cada seis (15,4%) faltou às aulas no último mês por sentir insegurança ou desconforto. Este Estudo Nacional sobre o Ambiente Escolar revela ainda que quando o número de pessoal docente e não docente que apoia estudantes LGBTI é maior, aumenta também a percepção de aceitação por parte da população estudantil, com uma diferença de 71,2% para 44,4%.

“Quanto mais inclusiva e aberta à diversidade for a escola, menor parece ser a prevalência da discriminação, assim como o seu impacto, o que parece evidenciar a necessidade de investir em mais recursos, mais formação especializada, mais sensibilização e mais capacitação de jovens e pessoal docente e não docente contra a discriminação em função da orientação sexual, identidade ou expressão de gênero e características sexuais”, lê-se no estudo.

No Brasil

Sabemos que aqui no Brasil essa história não é muito diferente. Qual cidadão LGBTI+ nunca sofreu alguma agressão verbal ou física pelo simples fato de sua orientação sexual?!

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Não precisamos ir muito longe para tomar conhecimentos de relatos parecidos. O estudante Lucas Amaro, 19 anos, conta que já sofreu com xingamentos, mas nunca relatou para ninguém por medo. “Já aconteceu diversas situações bem tensas no período em que estava na escola. Nunca contei pra ninguém por medo ou porque sabia que nada seria feito”, relatou.

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Já Wesley Souza Gonçalves, 23 anos, sofria bullying tanto pela sua sexualidade quanto por seu tipo físico. “Na 6ª e na 7ª série eu era gordinho, usava óculos e era zoado por isso. Os meninos me batiam, quase sempre. Cheguei a falar para a diretora e, mesmo após levar uma advertência, eles não paravam. Houve uma época em que não aguentava mais, fica extremamente triste” contou.

O apoio nas escolas

Pelo lado mais positivo, a investigação mostra que 57,4% dos estudantes ouvidos considera que a população estudantil da sua escola aceita as pessoas LGBTI, e 72,5% que existe um número considerável de estudantes LGBTI na sua escola. A esmagadora maioria, 93,3% é capaz de identificar pelo menos um elemento do pessoal docente ou não docente da escola que apoia estudantes LGBTI, e metade (50%) consegue mesmo identificar seis ou mais pessoas apoiantes.

Entre as recomendações apresentadas neste documento da Associação ILGA, contam-se “aumentar a visibilidade de temáticas LGBTI nas atividades escolares”, “respeitar a identidade de jovens trans, reconhecendo logo que possível o seu nome social e o direito à utilização adequada de espaços comuns (por exemplo, balneários e casas de banho)”, ou “incluir temáticas LGBTI na formação de futuro pessoal docente e não docente da escola”.

No estudo participaram 663 jovens entre os 14 e os 20 anos (com idade média de 16,2) – dois terços deles (67,2%) residentes em zonas urbanas e cinco em cada seis (84,4%) a frequentar o ensino público – e foram ouvidas no final do ano letivo 2016/2017.

No contexto europeu, Portugal surge em 15º lugar no Index da Educação Inclusiva LGBTQI da International Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender, Queer & Intersex Youth and Student Organisation (IGLYO, 2018), que considera “o enquadramento legal relativamente inclusivo”, embora careça “de medidas concretas de implementação” para a promoção da inclusão e segurança nas escolas.

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